O silício orgânico é um elemento presente naturalmente no organismo humano e encontrado principalmente em tecidos como ossos, cartilagens, pele e outros tecidos conjuntivos.
Portanto nos últimos anos, ele ganhou destaque especialmente em produtos voltados para pele, cabelos, unhas, articulações e saúde óssea.
Apesar do interesse crescente, é importante diferenciar o que já possui evidências científicas do que ainda está sendo estudado.
No entanto a forma mais disponível biologicamente é o ácido ortossilícico, uma forma solúvel de silício. (PubMed Central (PMC))
O que é o silício orgânico?
Primeiramente quando falamos em “silício orgânico” em suplementos, geralmente estamos nos referindo a compostos de silício formulados para melhorar sua disponibilidade ao organismo, e não ao silício metálico utilizado na indústria.
Entretanto uma das formas estudadas é o ácido ortossilícico (OSA). Ele pode ser absorvido pelo trato gastrointestinal e posteriormente eliminado principalmente pelos rins. (PubMed Central (PMC))
O silício também está naturalmente presente na alimentação.
Entre eles Cereais, grãos e alguns vegetais podem fornecer quantidades significativas, enquanto a água também pode contribuir para a ingestão de silício. (PubMed Central (PMC))
1. Silício e produção de colágeno
Certamente uma das razões pelas quais o silício desperta tanto interesse na estética é sua possível relação com o colágeno.
Pois o colágeno é uma proteína estrutural fundamental para:
pele;
cartilagens;
tendões;
ligamentos;
ossos;
vasos sanguíneos.
Sendo assim, estudos experimentais indicam que o silício pode participar de processos relacionados à síntese e organização do colágeno, além da estrutura da matriz extracelular. (PubMed Central (PMC))
Então, isso ajuda a explicar por que o silício é frequentemente associado à manutenção da estrutura dos tecidos conjuntivos.
Mas atenção: isso não significa que simplesmente tomar silício fará o organismo produzir grandes quantidades de colágeno ou que substituirá uma alimentação adequada, proteínas, vitamina C e outros nutrientes necessários à formação do colágeno.
2. Pode contribuir para a saúde da pele
Como a pele contém grande quantidade de estruturas de colágeno e outros componentes da matriz extracelular, existe interesse científico na utilização do silício para a manutenção da qualidade da pele.
Portanto a hipótese é que o silício possa contribuir indiretamente para a estrutura e integridade do tecido conjuntivo, principalmente por sua relação com colágeno e glicosaminoglicanos. (PubMed Central (PMC))
Por isso, ele aparece em alguns produtos destinados à beleza e ao envelhecimento da pele.
Entretanto, é importante evitar promessas como:
“Silício elimina rugas”,
“rejuvenesce a pele” ou
“produz colágeno automaticamente”.
As evidências disponíveis ainda não permitem afirmar esses efeitos de maneira tão ampla.
3. Relação com cabelos e unhas
O silício também é bastante divulgado por sua possível contribuição para cabelos e unhas.
Porque está relacionado ao fato de esses tecidos possuírem componentes estruturais que dependem de proteínas e da organização adequada dos tecidos conjuntivos.
Entretanto, as evidências científicas são mais limitadas quando comparadas às pesquisas sobre ossos e tecido conjuntivo.
Portanto, é mais correto dizer que o silício pode participar da manutenção estrutural desses tecidos, em vez de afirmar que ele necessariamente fará o cabelo crescer ou fortalecerá unhas em todas as pessoas.
4. Silício orgânico e saúde dos ossos
Essa é uma das áreas mais estudadas.
Pois o tecido ósseo não é formado apenas por cálcio.
Ele possui uma matriz orgânica, rica principalmente em colágeno, sobre a qual ocorre a mineralização.
Contudo pesquisas experimentais indicam que o silício pode participar de processos relacionados à formação da matriz óssea e sua mineralização.
Estudos também encontraram associação entre maior ingestão dietética de silício e alguns indicadores de densidade mineral óssea. (PubMed Central (PMC))
Porém, ainda existem limitações importantes nas pesquisas em seres humanos. Uma revisão científica destaca que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma recomendação definitiva de suplementação de silício para a população. (PubMed)
Portanto, o silício não deve ser encarado como tratamento para osteoporose.
5. Pode participar da manutenção das cartilagens e tecidos conjuntivos
Dessa forma sabemos que o tecido conjuntivo está presente em várias partes do corpo.
Entre elas:
cartilagens;
tendões;
ligamentos;
pele;
vasos sanguíneos;
ossos.
Porém o silício está presente nesses tecidos, e pesquisas experimentais sugerem que ele pode participar da organização de componentes da matriz extracelular. (PubMed Central (PMC))
Isso despertou interesse em relação à manutenção da cartilagem e das articulações.
Embora ainda sejam necessárias pesquisas clínicas mais robustas para determinar exatamente quanto a suplementação pode beneficiar pessoas com problemas articulares.
6. Silício não é a mesma coisa que “sílica perigosa”
Existe muita confusão entre esses termos.
Silício, sílica, silicatos e diferentes compostos contendo silício não são exatamente a mesma coisa.
A forma química e a maneira como o organismo entra em contato com o composto são fundamentais.
Por exemplo, algumas formas de sílica cristalina presentes em determinados ambientes ocupacionais podem representar riscos importantes à saúde quando inaladas.
Isso é completamente diferente de discutir formas solúveis e biodisponíveis de silício utilizadas em alimentação ou suplementação. (PubMed)
Por isso, não devemos colocar todos os compostos de silício na mesma categoria.
7. Onde encontramos silício naturalmente?
Principalmente o silício pode ser encontrado na alimentação, associado a alimentos de origem vegetal.
Entre as fontes citadas na literatura estão:
aveia;
cevada;
cereais integrais;
trigo;
arroz;
alguns vegetais;
água.
A quantidade disponível para absorção depende da forma química em que o silício está presente.
O ácido ortossilícico é uma das formas mais facilmente absorvidas. (PubMed Central (PMC))
Isso significa que uma alimentação equilibrada pode fornecer silício sem necessariamente depender de suplementos.
8. E o silício em suplementos?
Os suplementos podem utilizar diferentes formas e concentrações de compostos.
Um ponto importante é que “mais” não significa necessariamente “melhor”.
Além disso, não existe atualmente uma recomendação universalmente estabelecida para que todas as pessoas façam suplementação de silício.
Uma revisão chegou a discutir cerca de 25 mg/dia como possível ingestão adequada, mas ressalta que as evidências ainda não são suficientes para estabelecer uma recomendação definitiva. (PubMed Central (PMC))
Portanto, a escolha de um suplemento deve considerar:
forma química do silício;
quantidade fornecida;
biodisponibilidade;
composição completa do produto;
condição individual da pessoa;
alimentação;
medicamentos utilizados.
9. O silício pode substituir o colágeno?
Não.
Essa é uma dúvida bastante comum.
Pois o silício e o colágeno são coisas diferentes.
O colágeno é uma proteína, enquanto o silício é um elemento químico.
O silício pode participar de processos relacionados à matriz extracelular e ao colágeno, mas isso não significa que ele seja “colágeno” ou que substitua a ingestão adequada de proteínas.
Entretanto para a produção normal de colágeno, o organismo também depende de aminoácidos e de nutrientes, especialmente vitamina C, além de outros micronutrientes.
10. O silício emagrece?
Não há evidência sólida de que o silício seja um suplemento para emagrecimento.
Dessa forma, ele não deve ser apresentado como queimador de gordura ou como estratégia principal para perda de peso.
Se um produto contendo silício é vendido com promessa de emagrecimento, é importante verificar quais outros ingredientes estão presentes e quais evidências realmente sustentam essa alegação.
11. O silício combate a flacidez?
É preciso ter cuidado com essa afirmação.
A flacidez envolve diversos fatores:
envelhecimento;
perda de colágeno e elastina;
exposição solar;
alterações hormonais;
genética;
variação de peso;
alimentação;
estilo de vida.
Como o silício está relacionado experimentalmente ao tecido conjuntivo e ao metabolismo do colágeno, existe interesse em seu possível papel na manutenção da estrutura da pele.
Porém, não é correto afirmar que a suplementação isolada de silício seja um tratamento comprovado para flacidez. (PubMed Central (PMC))
12. Silício orgânico e envelhecimento
Com o envelhecimento, ocorrem alterações importantes na pele, nos ossos e nos tecidos conjuntivos.
O interesse pelo silício nesse contexto está relacionado justamente à sua possível participação na estrutura do tecido conjuntivo, colágeno e metabolismo ósseo.
Pesquisas recentes continuam investigando o potencial do ácido ortossilícico em diferentes áreas, mas vários efeitos atribuídos ao silício ainda precisam de confirmação por estudos clínicos de maior qualidade. (PubMed)
13. Quem deve ter cuidado com a suplementação?
Embora o silício esteja presente naturalmente na alimentação, suplementos não devem ser utilizados indiscriminadamente.
É especialmente importante conversar com um profissional de saúde antes de utilizar suplementos se a pessoa:
possui doença renal;
está grávida ou amamentando;
utiliza diversos medicamentos;
possui alguma doença crônica;
pretende utilizar doses elevadas;
está fazendo tratamento para osteoporose ou outra doença óssea.
Isso é particularmente relevante porque os rins participam da eliminação do silício absorvido, e alterações da função renal podem modificar sua concentração no organismo. (PubMed Central (PMC))
Afinal, quais são os principais benefícios possíveis?
De maneira resumida, as pesquisas sugerem que o silício pode estar relacionado a:
🦴 Ossos: participação na formação e mineralização da matriz óssea.
🧬 Colágeno: possível participação na síntese e organização do colágeno.
🧴 Pele: possível contribuição para a estrutura do tecido conjuntivo.
💅 Unhas e cabelos: possível papel estrutural, embora as evidências sejam mais limitadas.
🦵 Cartilagens e articulações: possível participação na manutenção da matriz extracelular.
💧 Metabolismo: o silício absorvido circula principalmente na forma de ácido silícico e é eliminado predominantemente pela urina. (PubMed Central (PMC))
Conclusão
Em suma, o silício orgãnico é um elemento biologicamente interessante, especialmente quando pensamos em ossos, colágeno e tecidos conjuntivos.
A ciência já apresenta evidências experimentais relevantes sobre sua participação nesses processos, e estudos em humanos apontam possíveis benefícios, principalmente relacionados à saúde óssea.
Porém, ainda existem lacunas importantes e não é correto transformar resultados preliminares em promessas de tratamento ou rejuvenescimento. (PubMed)
Por isso, o melhor caminho é enxergar o silício como um possível componente de uma estratégia nutricional, e não como uma solução isolada.
Uma alimentação equilibrada, adequada ingestão de proteínas, vitaminas e minerais, atividade física, sono adequado e proteção solar continuam sendo pilares muito mais amplos para a manutenção da saúde, da pele e dos ossos.
Importante: este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional.
Enfim, a necessidade e a segurança de qualquer suplemento devem ser avaliadas individualmente.
